Não a profissão, mas suas práticas, os modos de investigar a prática, que reorganiza as relações entre sujeito e objeto.
Então, a terapia ocupacional (prática) enquanto objeto de investigação, põe à prova o terapeuta ocupacional (estudioso) na invenção de práticas de investigação que ofereçam possibilidades (risco) de apreensão/compreensão/roteirização "das condições humanas de intervenções, na ocorrência de uma terapia ocupacional" (BENETTON, 2005), dos fenômenos relativos ao saber fazer acerca da terapia ocupacional.
Quem quiser entender melhor do que eu estou falando, leia o artigo "Além da opinião: uma questão de investigação para a historicização da Terapia Ocupacional", de Jô Benetton, Revista CETO, n.o 9, 2005.
Imprescindível.
Isso é CETO. Essa terapia ocupacional inventada e em invenção.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
política e saber
Política no sentido que a Isabelle Stengers diz, de acompanhar a construção das soluções que cada coletividade traz ao problema. Não como um julgamento, mas como ação.
Daí, penso que não há como não se posicionar.
Isabelle Stengers,
A invenção das ciências modernas, p. 116
Daí, penso que não há como não se posicionar.
"... um texto científico está longe de ser 'frio', de ser mero relatório de experiências e das conclusões às quais elas conduzem racionalmente. É um dispositivo arriscado que expõe de uma só vez e indissociavelmente os 'fatos' e os leitores, propondo-lhes papéis - crítico pertinente, autoridade incontestável, aliado, rival infeliz - que ele procura fazer com que aceitem, numa história que ele procura fazer passar pela diferença que pretende ter conseguido criar."
Isabelle Stengers,
A invenção das ciências modernas, p. 116
sobre o doutorandices
Na semana passada fui ao Encontro de Docentes de Terapia Ocupacional e fiquei super feliz com os comentários de acesso ao blog.
Além disso, ontem mesmo a Deigles Amaro me escreveu sobre o quanto é convidativa esta minha forma de me apresentar, aqui no blog e na homepage.
Em resposta a isso tudo, lembrei-me da Clara Avenbuck, de que o blog é uma forma de comunicar, de publicar.
Acredito nisso.
Além disso, ontem mesmo a Deigles Amaro me escreveu sobre o quanto é convidativa esta minha forma de me apresentar, aqui no blog e na homepage.
Em resposta a isso tudo, lembrei-me da Clara Avenbuck, de que o blog é uma forma de comunicar, de publicar.
Acredito nisso.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Felicidadezinha
Fiquei numa felicidadezinha hoje quando reencontrei o
cinemascópio, ele era um site de crítica de cinema, muito inteligente, do Kleber Mendonça
(que só faz aumentar ainda mais o meu gosto por Pernambuco) e agora é blog.
cinemascópio, ele era um site de crítica de cinema, muito inteligente, do Kleber Mendonça
(que só faz aumentar ainda mais o meu gosto por Pernambuco) e agora é blog.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Para escrever melhor
Sei que redação de tese não é igual à redação jornalística. Mas bom texto é bom texto.
Tenho gostado muito das dicas do blog novoemfolha.
Hoje, a Ana Estela postou algumas dicas interessantes que vêm sendo passadas de mão em mão (aqui já é a sexta mão!): "do Strunk para o "El País", do "El País" para Vinícius [de Moraes], de Vinícius para o Breno [amigo dela], do Breno para mim [Ana Estela] e, finalmente, de mim para os leitores do blog" novoemfolha... e agora aqui :)
Tenho gostado muito das dicas do blog novoemfolha.
Hoje, a Ana Estela postou algumas dicas interessantes que vêm sendo passadas de mão em mão (aqui já é a sexta mão!): "do Strunk para o "El País", do "El País" para Vinícius [de Moraes], de Vinícius para o Breno [amigo dela], do Breno para mim [Ana Estela] e, finalmente, de mim para os leitores do blog" novoemfolha... e agora aqui :)
- esqueça o que "não é". Em vez de "não costumava atrasar", prefira "chegava sempre na hora". Em vez de "não teve sucesso", escreva "fracassou".
- seja concreto. Em vez de "o clima era muito seco", vá de "não chovia havia dois meses".
- seja breve. Troque "prometeu adotar medidas de contenção dos furtos" por "prometeu combater os furtos"
- abaixo introduções. Se você vai contar algo trágico, não precisa antecipar que "o que ocorreu foi trágico". Vale para qualquer outra introdução. Deixe que os fatos falem por si.
- não enfeite. Isso a gente já falou muito aqui no blog: o bom texto não é feito de um monte de palavras bonitas enfileiradas de forma rebuscada. Texto é informação. Quanto mais informação, melhor ele fica.
- menos ego. Não tente parecer bom ou diferente. Tente escrever de forma clara e interessante. É o texto que conta, não você.
- contra adjetivos, use substantivos. E verbos. Aqui eu vou transcrever o Vinicius: "Não há adjetivo no mundo que possa estimular um substantivo exangue ou inadequado; isto sem subestimar adjetivos e advérbios, quando corretamente empregados. Mas a verdade é que são os nomes e os verbos que dão sal e cor ao estilo".
- seja claro. Frases curtas ajudam nisso.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
sobre raciocínio clínico
Gostei muito da iniciativa do meu amigo José Otávio na criação do blog do terapeuta ocupacional.
Lá, ele postou um vídeo e discute a aprendizagem do raciocínio clínico.
Como já disse em uma postagem anterior (27 de agosto) o raciocínio clínico em terapia ocupacional, discutido por Cheryl Mattingly em seu artigo "O que é raciocínio clínico?" publicado no The American Journal of Occupational Therapy, em 1991, não é simplesmente a habilidade de dar razão a uma decisão clínica ou de oferecer razões explícitas para a ação, e também não é a simples aplicação da teoria na prática. O raciocínio clínico está diretamente relacionado à ação e a uma noção antiga de raciocínio prático no senso aristotélico: saber como agir é mais que uma habilidade instrumental, pois envolve a deliberação sobre o que é apropriado para um caso específico, com um paciente específico, em um contexto específico. Enquanto a teoria leva para uma verdade generalizada, a ação sempre acontece num contexto singular e, dada a complexidade e as idiossincrasias do caso particular, o conhecimento teórico tende a se apresentar grosseiro e aproximado, podendo se oferecer como ponto de partida, mas não como uma regra para a ação.
A experiência do Zé com suas alunas, também me fez lembrar do programa de preceptoria online, desenvolvido pela University of Western Ontario, no Canadá, aquela que eu visitei! é um programa auto-dirigido e pode ser feito por qualquer pessoa, alunos de graduação, profissionais iniciantes ou experientes e preceptores/supervisores, é só se cadastrar. Especificamente no módulo sobre 'prática reflexiva' há várias estratégias utilizando cenas em vídeo para disparar a reflexão sobre a ação.
E para quem tem saudades da Lilian Magalhães (PUCCamp), ela aparece em alguns deles.
Para maiores informações sobre raciocínio clínico em terapia ocupacional (material em português), dá para fazer o download da minha dissertação de mestrado na minha homepage.
Lá, ele postou um vídeo e discute a aprendizagem do raciocínio clínico.
Como já disse em uma postagem anterior (27 de agosto) o raciocínio clínico em terapia ocupacional, discutido por Cheryl Mattingly em seu artigo "O que é raciocínio clínico?" publicado no The American Journal of Occupational Therapy, em 1991, não é simplesmente a habilidade de dar razão a uma decisão clínica ou de oferecer razões explícitas para a ação, e também não é a simples aplicação da teoria na prática. O raciocínio clínico está diretamente relacionado à ação e a uma noção antiga de raciocínio prático no senso aristotélico: saber como agir é mais que uma habilidade instrumental, pois envolve a deliberação sobre o que é apropriado para um caso específico, com um paciente específico, em um contexto específico. Enquanto a teoria leva para uma verdade generalizada, a ação sempre acontece num contexto singular e, dada a complexidade e as idiossincrasias do caso particular, o conhecimento teórico tende a se apresentar grosseiro e aproximado, podendo se oferecer como ponto de partida, mas não como uma regra para a ação.
A experiência do Zé com suas alunas, também me fez lembrar do programa de preceptoria online, desenvolvido pela University of Western Ontario, no Canadá, aquela que eu visitei! é um programa auto-dirigido e pode ser feito por qualquer pessoa, alunos de graduação, profissionais iniciantes ou experientes e preceptores/supervisores, é só se cadastrar. Especificamente no módulo sobre 'prática reflexiva' há várias estratégias utilizando cenas em vídeo para disparar a reflexão sobre a ação.
E para quem tem saudades da Lilian Magalhães (PUCCamp), ela aparece em alguns deles.
Para maiores informações sobre raciocínio clínico em terapia ocupacional (material em português), dá para fazer o download da minha dissertação de mestrado na minha homepage.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
resultados preliminares(1): características relevantes do programa de mentoria
Decidi começar a postar alguns resultados preliminares do doutorado. Pelo menos, os resultados dos trabalhos que tenho submetido a congressos, eventos e artigos.
Ontem, terminei o texto completo do trabalho "Programa de Mentoria para o Desenvolvimento Profissional em Terapia Ocupacional: a Aprendizagem Colaborativa como Método de Ensino-Aprendizagem" para o IX Encontro Nacional de Docentes de Terapia Ocupacional.
Neste trabalho, discuto o conceito de prática profissional como aquela que acontece em situações de singularidade, incertezas e conflitos de valores, e que através dos processos de reflexão na e sobre a ação, o profissional pode tornar explícito seus motivos e crenças, julgá-los de acordo com sua satisfação profissional e até construir novos conhecimentos sobre a prática.
Também falo do raciocínio clínico em Terapia Ocupacional como um processo de raciocínio voltado para o saber como fazer em um contexto específico, com um paciente específico.
Discuto a relação entre processos de reflexão, narrativas e construção colaborativa de sentidos.
Apresento o Programa de Mentoria que foi a base da pesquisa-ação e alguns resultados relativos a avaliação das características mais relevantes para o desenvolvimento profissional, apresentadas pelas participantes da pesquisa.
Como resultados encontrei as seguintes características:
1. Uma certa suspensão das demandas da prática, no sentido de não ter que pensar em ações profissionais urgentes para resolver estas demandas, e assim se aprofundar na investigação da prática e do raciocínio clínico, demarcando uma diferença entre a supervisão clássica e a proposta do programa de mentoria;
2. A importância das ações da mentora ao favorecer a negociação de sentidos e o alinhamento das participantes à proposta;
3. As trocas entre as profissionais mais experientes e as iniciantes, marcadas pelo narrar e compartilhar experiências;
4. O engajamento no processo de reflexão, de investigação da própria prática como eixo do desenvolvimento profissional.
Ontem, terminei o texto completo do trabalho "Programa de Mentoria para o Desenvolvimento Profissional em Terapia Ocupacional: a Aprendizagem Colaborativa como Método de Ensino-Aprendizagem" para o IX Encontro Nacional de Docentes de Terapia Ocupacional.
Neste trabalho, discuto o conceito de prática profissional como aquela que acontece em situações de singularidade, incertezas e conflitos de valores, e que através dos processos de reflexão na e sobre a ação, o profissional pode tornar explícito seus motivos e crenças, julgá-los de acordo com sua satisfação profissional e até construir novos conhecimentos sobre a prática.
Também falo do raciocínio clínico em Terapia Ocupacional como um processo de raciocínio voltado para o saber como fazer em um contexto específico, com um paciente específico.
Discuto a relação entre processos de reflexão, narrativas e construção colaborativa de sentidos.
Apresento o Programa de Mentoria que foi a base da pesquisa-ação e alguns resultados relativos a avaliação das características mais relevantes para o desenvolvimento profissional, apresentadas pelas participantes da pesquisa.
Como resultados encontrei as seguintes características:
1. Uma certa suspensão das demandas da prática, no sentido de não ter que pensar em ações profissionais urgentes para resolver estas demandas, e assim se aprofundar na investigação da prática e do raciocínio clínico, demarcando uma diferença entre a supervisão clássica e a proposta do programa de mentoria;
2. A importância das ações da mentora ao favorecer a negociação de sentidos e o alinhamento das participantes à proposta;
3. As trocas entre as profissionais mais experientes e as iniciantes, marcadas pelo narrar e compartilhar experiências;
4. O engajamento no processo de reflexão, de investigação da própria prática como eixo do desenvolvimento profissional.
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